segunda-feira, 17 de março de 2014

O SAPO

 Vale a pena assistir :


https://www.youtube.com/watch?v=DID_ojhCkjY

EDUCAÇÃO ESCOLAR DE PESSOAS COM SURDEZ - ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO EM CONSTRUÇÃO

                       


     A pessoa com surdez tem muitos obstáculos a transpor para realmente participar da educação escolar. Há mais ou menos dois séculos, existe um embate político entre os gestualistas e os oralistas, na qual responsabilizam o sucesso ou o fracasso escolar com base na adoção de uma ou de outra concepção com suas práticas pedagógicas específicas.
     Se analisarmos à evolução da história desses alunos, percebemos o quanto avançou no cumprimento dos direitos das pessoas com surdez. Assim, Damázio e Ferreira (2010), mencionam que:
            “Nossa intenção é interpretar a pessoa com surdez, à luz do pensamento pós-moderno, como ser humano descentrado, por acreditar no corpo biológico, não em sua parte com a deficiência, mas nas outras, que dão à pessoa potencialidade; além de considerar que esse ser não é no todo surdo, mas há uma parte com surdez (...)”
    Vários autores e pesquisadores nos trouxeram pesquisas que auxiliam na educação de alunos com surdez na escola comum, valorizando as diferenças no convívio social e o reconhecimento do potencial de cada ser humano.
          Porém, ainda segundo Damázio, “(...) as pessoas com surdez precisam de mais do que apenas uma língua (mesmo esta sendo de fundamental importância), precisam de ambientes educacionais estimuladores, que desafiem o pensamento e exercitem a capacidade perceptivo-cognitiva”.
   A nova política de educação no Brasil, na perspectiva inclusiva, as discussões se voltam para as práticas de ensino e aprendizagem nas escolas, para que apresentem caminhos consistentes e produtivos para a educação de pessoas com surdez. Não se trata de separar as pessoas com ou sem deficiência, mas ao contrário, valorizar e trabalhar as potencialidades do corpo e da mente humana, tornando essa pessoa capaz, como sêr com consciência, pensamento e linguagem.
Surge nova perspectiva de proposta de uma educação bilíngue, assegurada pelo Decreto 5.626 de 5 de dezembro de 2005, que determina o direito de uma formação da pessoa com surdez, em que a Língua Brasileira de Sinais (sua primeira língua) e a Língua Portuguesa (segunda língua, na modalidade escrita), constituam línguas de instrução, e que o acesso às duas línguas  ocorra de forma simultânea no ambiente escolar, em turmas de alunos surdos e ouvintes, colaborando para o desenvolvimento de todo o processo educativo.
     A Educação Especial na perspectiva inclusiva, principalmente para pessoas com surdez, tem passado por reflexões para se construir uma prática pedagógica que se volte para o desenvolvimento das potencialidades das pessoas com surdez, em todos os ambientes. E para fazer com que as escolas estejam preparadas para participar de uma rede social, cultural e de saberes. Devemos lembrar que a perspectiva inclusiva rompe fronteiras, territórios, quebra preconceitos e procura dar ao ser humano com surdez, amplas possibilidades sociais e educacionais.
     De acordo com Damázio e Ferreira, o bilinguismo, muitas vezes, dá lugar ao bimodalismo; não se leva em conta a abordagem bilíngue de modo a considerar as pessoas em seus graus de surdez.
Ao oportunizar ambientes propícios para as pessoas com surdez trabalharem o seu potencial, as marcas do déficit, da falta acesso ao conhecimento e da falha processo educativo, estaremos exaltando o seu potencial humano.
Atendimento Educacional Especializado para pessoas com surdez, por meio da Política Nacional de Educação Especial, na Perspectiva Inclusiva, disponibiliza serviços e recursos. Como atendimento Educacional Especializado em Libras na Escola Comum; Atendimento Educacional Especializado para o ensino de Libras e Atendimento Educacional Especializado para ensino de Língua Portuguesa. O atendimento oferece novas possibilidades para as pessoas com surdez, para as quais Libras e a Língua Portuguesa escrita são línguas de comunicação e instrução. É necessário pensar em redes interligadas, sem hierarquização de conteúdos, mas com uma ação dependente entre o pensar e o fazer pedagógico. Em ambientes adequados que auxiliem o professor e o aluno com surdez a interagirem com a sala de aula comum, a partir de novas práticas pedagógicas.

Referência Bibliográfica
        Coletânea UFC-MEC/2010: A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar. Fascículo 05: Educação Escolar de Pessoas com Surdez - Atendimento Educacional Especializado em Construção, p. 46-57.