domingo, 20 de abril de 2014

Surdocegueira e a Deficiência Múltipla



Deficiência Múltipla e a Surdocegueira  

Nós não devemos deixar que a incapacidades das pessoas nos impossibilitem de reconhecer as suas habilidades” ( Hallahan e Kauffman,1994)

Deficiência Múltipla
Segundo a Lei 7.853, de 24 de outubro 1989 define-se Deficiência Múltipla como: A associação, na mesma pessoa, de duas ou mais deficiências primárias, de ordem física, intelectual, auditiva e visual. Com o comprometimento que causam consequências no desenvolvimento global e sua capacidade adaptativa.
Em 2000 Orelove e Sobsey, definem DMU: As pessoas com Deficiência Múltipla são indivíduos com comprometimento acentuados no domínio cognitivo, associados a comprometimento no domínio motor ou no domínio sensorial (visão ou audição) e que requerem apoio permanente, podendo ainda necessitar de cuidados de saúde específicos.
O MEC define em 2006 a Deficiência Múltipla: É o conjunto de duas ou mais deficiências associadas, de ordem física, sensorial, mental, emocional ou de comportamento social. Essas deficiências não possuem uma dependência entre si. E podem apresentar- se: * Física e psíquica, *Sensorial e psíquica, * Física, psíquica e sensorial.
 
Surdocegueira
Segundo a definição dada pelo Instituto Benjamim Constant, do Rio de Janeiro: É quando uma pessoa tem a perda substancial da visão e da audição e o comprometimento simultâneo de ambos os sentidos varia de pessoa para pessoa. Há indivíduos com surdocegueira que têm audição residual e até a fala, nos casos que a surdez evoluiu depois de o indivíduo já ter adquirido a linguagem oral.
Para Olson em 1995: “Uma pessoa que tenha deficiências visuais e auditivas de grau de tal importância, que esta dupla perda sensorial cause problemas de aprendizagem, de conduta e afete suas possibilidades de trabalho, é denominada surdocega”.  

Necessidades Básicas:  Na Deficiência Múltipla e ou Surdocegueira
 
A inclusão de pessoas com deficiências múltiplas e com surdocegueira na escola comum. Deve ser realizada de forma a dar oportunidades necessárias segundo as dificuldades apresentada pelo individuo. Para que esses alunos participem das atividades nas escolas comuns, devemos desenvolver estratégias e recursos para realizar, nos atendimentos educacionais especializados e em diversos segmentos da sociedade. Vale lembrar que, quanto mais cedo forem estimulados, maiores são as chances de a criança adquirir comportamentos sociais adequados e usar os sentidos remanescentes com o melhor aproveitamento possível, potencializando assim as suas habilidades e auxiliando sua inclusão.

Deficiência Múltipla
Apresenta necessidades: As mais frequentes são as necessidades físicas e médicas apresentando saúde mais frágil com pouca resistência física. Geralmente limitações sensoriais ( visual e auditiva), problemas com deglutição e mastigação. Nas emoções, as necessidades de afeto, atenção, estabelecer relações afetivas, sociais e de confiança. Nas educativas, apresenta limitações no acesso ao ambiente e grande dificuldade em dirigir atenção para estímulos relevantes, na interpretação e generalização de informações.
As estratégias para aquisição da comunicação: O aluno deve ter a oportunidade de realizar o AEE para que tenha acesso às estratégias e aos recursos que necessita para desenvolver a sua comunicação, autonomia e participação na sociedade. Receber o apoio, aceitação da família, obtendo assim condições favoráveis em um modelo de colaboração na qual a comunicação é primordial para organizar sua vida, tanto na saúde como nas suas interações sociais. Sabemos que a chave para o sucesso na comunicação é a motivação.


Surdocegueira
Apresenta necessidades: De desenvolver um modo de aprendizado que auxilie a visão e audição e permita o relacionamento com o mundo. Por isso, explorar as potencialidades dos sentidos remanescentes (tato, paladar e olfato) é essencial para a orientação e a percepção, tanto na escola, quanto fora dela. Adequação dos ambientes que participa para desenvolver sua comunicação e mobilidade. Apoio de interpretes ou de um sistema de comunicação adequado. Parceria entre a família, escola, AEE e todos os profissionais envolvidos.
As estratégias para aquisição da comunicação: Uma das opções de comunicação para o surdocegos pós-simbólicos consiste no sistema “Braille Tátil”. A pessoa nessa técnica utiliza as mãos para sentir os movimentos da boca, do maxilar e a vibração da garganta do falante, e consegue interpretar o que é dito. No AEE devemos elaborar e executar estratégias, recursos e atividades que auxiliem o surdocego pré-simbólico, o uso do tato para antecipar algumas sensações e permitir que perceba a forma dos objetos, associando-os a funções correlatas-a escova de dente indica um momento de higiene, a orientação e propicia um conforto maior para a criança.


Referências Bibliográficas:

BOSCO, Ismênia C. M. G.; MESQUITA, Sandra R. S. H.; MAIA, Shirley R. Coletânea UFC-MEC/2010: A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar - Fascículo 05: Surdocegueira e Deficiência Múltipla (2010). Capítulo 4 - A escola comum e o aluno com surdocegueira. Capítulo 5 - Deslocamento em trajetos. Capítulo 6 - Pessoa com surdocegueira.

ROWLAND Charity e SCHWEIGERT Philip - Soluções Tangíveis para Indivíduos Com Deficiência Múltipla e ou com Surdocegueira. Apostila In mimeo. Tradução Acess. Revisão: Shirley R. Maia - 2013. 

SERPA, Ximena Fonegra, Comunicação para Pessoas com Surdocegueira. Tradução do livro Comunicacion para Persona Sordociegas, INSOR-Colômbia 2002

Godfrey, Gretchen Um Guia para os Pais: Desenho Universal para a Aprendizagem, Centro ALIANÇA de Assistência Técnica 2003, tradução ACESS0 2012 - Projeto Horizonte.

Ikonomdis, Vula – Texto: Deficiência Múltipla Sensorial.

Site da revista Nova Escola: http://revistaescola.abril.com.br/politicas-publicas/surdo-cegueira-deficiencia-multipla-inclusao-636397.shtml